Razão de ser...

Razão de ser
Nesta cidade, cujo patrono é o ilustre poeta Bocage,
onde sempre existiu forte tradição poética,
com movimentos formais e informais de poetas e escritores,
faz todo o sentido a existência de uma Associação Cultural
que reúna os poetas numa "Casa da Poesia"
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Objetivos da Casa (Consultar em rodapé)

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Homenagem a João Calceteiro




No passado dia 27 na Casa da Cultura de Setubal, foi homenageado o poeta setubalense "João Calceteiro", de seu nome, João Augusto Mendes.

Com  91 anos, participou em diversas antologias e reside atualmente no Lar Paula Borba em Setubal.

 Deixamos aqui um dos seus poemas,


A minha profissão


Fui calceteiro, aliás
Muitos anos trabalhei
Muitas léguas caminhei
Andando só para trás
Mas hoje, não sou capaz
De tal arte trabalhar
Não me posso corcovar
E andar como o caranguejo
Nesse trabalho desejo
Que eu sabia executar.

No tempo em que trabalhava
Portanto, a fazer calçada,
Era uma coisa engraçada,
Que amíude eu escutava,
Quando alguém comparava
O calceteiro ao Doutor
Dando-vos igual valor,
Se a memória não me escapa
De que é a terra que tapa
Nossos erros de maior.

Que digam que o calceteiro
Tapa os seus erros com terra
Isso ainda se tolera,
Tem muito de verdadeiro.
Eu porém, sou o primeiro
A repor esta verdade
Não pode haver igualdade
Entre o Doutor e aquele
Que ao Doutor, os erros dele
São doutra profundidade.

(João Augusto Mendes)

sábado, 27 de setembro de 2014

A Janela do Sonho


SONHO

Abre a tua janela e deixa entrar
O sonho que bateu devagarinho.
Foi talvez para te não acordar
Que bateu, ao de leve, de mansinho.

Deixa que o sonho entre em tua vida,
Um sonho é um poema por fazer
É talvez um poema que não rima
Mas o teu sonho pode acontecer.

Deixa a janela assim, de par em par,
Aberta ao vento, ao sol e ao luar
Que o sonho encontrará o teu caminho.

Não sonhar é negar ao coração
O direito de ter uma ilusão...
Deixa o sonho entrar, devagarinho...


                                                           Lourdes Nascimento

Em Torno de Agostinho da Silva

Em Torno de Agostinho da Silva na Casa Bocage
 Ciclo de Tertúlias III




Como ciclicamente acontece, a Associação Agostinho da Silva promoveu hoje, dia 27, pelas 16 horas, mais um interessante Encontro, acolhido por numerosa assistência.

 Foi orador o Professor José Manuel Anes, que dissertou sobre:
https://ci6.googleusercontent.com/proxy/RnNZfQn2o2xpggJQqefCOervMbPIci5mujDPJnvl43kv6Rtxjyh5gHN_JKVzeU-aaGz3pePFgxfoAAtZJZNx8mveVTc-11j98EfuAJVcumUenA=s0-d-e1-ft#https://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif
"Os três momentos do Quinto Império português: Vieira, Pessoa e Agostinho da Silva"

Teve ainda lugar a apresentação do livro Uma Introdução ao Esoterismo Ocidental e suas Iniciações, de José Manuel Anes, por MauríciaTeles da Silva.



De Fernando Pessoa, citado na Obra:

(...)

Ah, sempre que o ritual acerta
Seus passos e seus ritmos bem,
O ritual que não há desperta
E a alma é o que é, não o que tem.
Oscila incensório visto,
Ouvidos cantos estão no ar,
Mas o ritual a que eu assisto
É um ritual de relembrar.
No grande Templo antenatal,
Antes da vida e alma e Deus...
E o xadrez do chão ritual
É o que é hoje a terra e os céus...



  

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

O sonho



O sonho floresce às cores,
o sonho bate asas e voa,
o sonho alegra os amores,
o sonho perdido não entoa;
o sonho da noite embala
quando a mente não se cala
e deixa sorrir o coração;
o sonho percorre o prado
no dorso do cavalo montado,
segue em verde atapetado...
o sonho faz ver sem visão.

O sonho é riso e claridade,
o sonho cria desejos,
o sonho é loucura e saudade,
o sonho perfuma com beijos;
o sonho é mágico farol
que ilumina a vida como sol
e quantas vezes com utopia;
o sonho aponta a corrente
à água que vem da nascente,
acalma a alma que sente...


De, Inácio Lagarto (Setubal)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

1ª Conversa com Versos



Efetuámos a nossa primeira "Conversa com Versos" deste ano letivo, desta vez subordinada ao tema "Poesia em tons de mar" e de novo fomos presenteados com uma manhã muito agradável, rodeados de amigos e amantes da poesia que nos aqueceram a alma e o coração.

Gratos pela vossa presença e participação!

Deixamos aqui um poema que retrata o tema em foco:


Vejo ao longe aquele espelho

Refletido e reajo…
Reajo com todo o meu Ser!
Com todo o meu Saber!
Chego ao cais e embarco…
Embarco numa curta viagem
De puro prazer e deleite…
A espuma branca e as cores,
Quentes que predominam
No horizonte…

Vozes, rostos e risos,
Que enchem o meu coração!
O ondular dos cabelos e a
Música que invade os meus sentidos…

Paro…fecho os olhos…
Sinto-me pertence deste rio!
Desta alma pulsante!
Deste Ser, feroz mas elegante,
Neste sublime fim de tarde.

Chegam os tons do entardecer…
Laranja, amarelo, carmim,
Enfim…

O rio…cinza cor de prata!
Rejubilando, cantando!
Como que recusando
Este dia acabado!

Este Ser tem vida própria!

 Este Ser…

É o nosso querido Rio Sado!

De, Linda Neto






Concurso de Poesia

XVIII Concurso de Poesia da APPACDM de Setubal 

A APPACDM de Setúbal encontra-se a promover a XVIII Edição do Concurso do seu Concurso de Poesia, subordinado ao tema “A Poesia que há em ti”, com o objectivo de estimular a actividade criadora e sensibilizar a comunidade para a problemática da deficiência mental.

A este concurso podem candidatar-se todos os cidadãos Nacionais residentes no Continente e Arquipélagos da Madeira e Açores, com idade igual ou superior a 18 anos.

A entrega dos trabalhos está a decorrer até o dia 7 de Novembro (data do correio), estes devem estar dactilografados em folhas A4 ou impressos em computador e que nunca tenham sido apresentados em anteriores concursos desta associação.

Os trabalhos devem ser enviados em três exemplares, assinados com pseudónimo para:
-Concurso de Poesia, APPACDM - Associação Portuguesa de Pais e Amigos do cidadão deficiente mental
Avª S. Francisco de Xavier lote 8  cave 2900-616 Setúbal.

Os trabalhos devem ser enviados em sobrescrito fechado, devendo no exterior constar o pseudónimo utilizado pelo concorrente. deve também ser remetido um outro sobrescrito fechado contendo no interior os elementos de identificação e os contactos desse mesmo concorrente e no exterior o seu pseudónimo

Cada concorrente só poderá participar com o máximo de três poemas

(Ver o artigo completo sobre este concurso, no jornal "Diário de Setúbal" de 08 de Setembro de 2014 - Fonte)

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O Sonho

Durmo na hora calma
e o meu pensamento
não se acalma
na busca pelo equilíbrio,
e sonho,
na procura de mim própria,
e sonho,
na inconsciência da vontade
entre imagens e sons em conflito,
entre interesses e desejos ocultos
que não sabemos explicar...
e sonho!
O sonho é tão intenso
e tão verdadeiro
que se agarra... e rasga
o nosso corpo ao acordar,
deixando-nos paralisados
por momentos de prazer ou de dor
que queremos eternizar
ou afastar em asas de condor.

Sonho com a verdade
e a verdade total não existe.

Aquela pureza de criança,
que às vezes cruel
outras muito doce, alegre ou triste
começou há muito a esvair-se
a desligar-se
a criar anticorpos
a esgotar-se nas tentativas
activas de entender a realidade,
as várias realidades e
o ajuste que fazemos
entre a imagem e a ideia da coisa.
O real é o que existe dentro e fora
da mente de cada um de nós,
a ilusão ou fantasia
cria na mente outra realidade.

Ambas se completam
e são verdadeiras num mundo de ideias,
mas os seres humanos são diferentes
e a interpretação dessas ideias
é tão diferente.
Oh, meu Deus
alguém pode magoar-se!
Não queremos magoar ninguém
com a nossa verdade!
Mas não suportamos
tantas interpretações
que não chegam a lado nenhum,
tantas pessoas sérias e inteligentes
por demais competentes
que não encontram um ponto comum.
E a mesma verdade parece tão diferente
e a mesma consciência não é sapiente
o suficiente, para encontrar a solução
certa e resolver o problema
ou a dificuldade.

Tudo se complica e
o inconsciente emocional
protege-se de imagens e sons desagradáveis.
Os sonhos ganham a beleza e 
alcançam o espelho da alma
na procura da realização do desejo.

Ela se acalma...
 no equilíbrio do sonho.


Anna Neto (Setubal)


terça-feira, 9 de setembro de 2014

O Sonho

E de repente o luar.
O luar que brilha numa luz incandescente,
Brilha como se não houvesse amanhã,
Como o chão fugir sob os pés
E então voar... sonhar...
Sonhos são como realidades por viver,
Desejos imaginados, desejos sentidos,
Impossíveis de viver... ou talvez não.
'Dejá vus' de uma vida não vivida,
Sonhados já mais do que uma vez,
Lembrados ao fechar dos olhos
Já cansados, pesados.
Ao raiar do sol tudo ficou esquecido,
O despertar do dia salva-nos dos sonhos,
Daqueles desejos por concretizar.
Seguimos como pássaros em grupo,
Voamos sem medos, a fugir deles.
Seguimos mais alto.
Para esquecer o ontem, pensamos no amanhã,
Sonhamos com o amanhã.
Soldados, vivemos em guerras,
Guerras de nós próprios,
Guerras de paz, de sentimentos.
Lutas ganhas, lutas perdidas,
Lutadas com forças que jamais pensámos ter.
Ousamo-nos em tempestades,
Ventos que vêm de nós, contra nós.
E saímos ilesos... vencedores.

E de repente... o luar!



Tânia Silva (Loures)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Pedra Filosofal

António Gedeão














Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos,
que em oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho alacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que foca através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara graga, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, paço de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão de átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que o homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.