sábado, 25 de abril de 2020

Diário de um tempo estranho ( 27/03/2020)





 A D A M A S T O R 

Esta  tempestade,
Este  Adamastor  virulento,
Malvado,  peçonhento,
Veio  p´ra  nos  destruir.
Forte  como  seus  iguais,
Ele  não  vergará  jamais
A  vontade  dos  humanos,
Que  ousarão  persistir,
Deixando  a  sua  marca
P´ra  asseverar  o  porvir.
Enfrentaremos  sem  medo,
À  guisa  de  reparação,
A  crueldade  da  fera;
Poderemos  então
Com  presteza  e  prontidão,
Prenunciar  melhor  era.



Luís  Pinho
27/03/2020



 

Diário de um tempo estranho ( 20/04/2020)


1
Minúsculo ser vivo, leve como pó,
Espalhou-se pelo Mundo, deixando-o mais só.
Com a forma de coroa e a força letal,
Vai impondo ao Homem seu poder mortal.
E por causa dele tudo é diferente,
A normalidade mudou de repente.
Vivemos trancados, presos em clausura,
Sós, preocupados, com medo e amargura.
Os dias, as horas, escoam gota a gota,
Se é Sexta ou Domingo, quase não se nota,
Olhar para o futuro é ideia vã,
E já não se fazem planos p’rá manhã,
Andamos na rua como os mascarados,
Fugindo dos outros, p’ra não ser tocados.
A palavra morte tornou-se banal,
E contam-se os óbitos no telejornal,
Enquanto se almoça, se janta, se come,
Apenas são números, já não tem nome.
E há pensamentos, dúvidas que consomem,
P’ra ter tal castigo, que mal fez o Homem!






                                                                                                2
Mas antes do fim eu quero VIVER,
Tenho que ter Fé na palavra “querer”.
Quero ver pessoas passarem na rua,
Em vez da cidade deserta, tão nua.
Quero ver mulheres, homens e crianças,
Olhá-los sorrindo, sem desconfianças.
Quero ver famílias, amigos, afectos,
Poder conversar serenos, directos
Apertar a filha, dentro dos meus braços,
Cobrir minha neta, de beijos e abraços.
Quero ter a vida que dantes vivia,
Era tão feliz, só não o sabia.
Quero ter a força,  fé e confiança,
Que ao seguir o mal, desponta a bonança.
E quero esperar a cada momento,
Que haja uma vacina, um medicamento,
Que seja eficaz, que esperança nos trague,
Que haja uma cura, que faça um milagre.
Confiar nos homens, mas olhar os céus,
À espera que lá, inda haja um DEUS,
Que nos traga a paz, que nos dê saúde,
Por isso hoje eu rezo “que Deus nos ajude”
                                                                               20.04.20  Maria Luisa

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Diário de um tempo estranho - (21/04/2020)


GRATIDÃO (Dedicado aos profissionais de saúde)

Com as batas brancas que fazem lembrar
Nuvens de algodão,
Ou batas azuis que lembram o mar,
Com a esperança a passar de mão em mão
São pombas da paz em círculos no ar.
O rosto escondido
O corpo vestido de inquietação,
Nada a descoberto, somente o olhar,
Lá dentro do peito sofre um coração.
O tempo parou, o tempo é vulcão
Nele ardem as dores que são sufocadas,
Calcadas, guardadas, na alma sofrida,
Respira-se Morte, procura-se a Vida.
É forte a penumbra das horas cansadas
E todas as horas parecem paradas.
Soldados anónimos que cerram fileiras
Que lutam, que sofrem, que choram
Nas frágeis trincheiras.
Os dias vividos enfrentando o medo
Anjos da guarda daqueles que partem
Num último olhar guardado em segredo.
Silêncios cortados
Na luta incessante sem definição
Abraços deixados
Numa só palavra: GRATIDÃO!

Alexandrina Pereira
21/04/2020

Diário de um tempo estranho - (23/03/2020)



Um tempo diferente


Eu sou do tempo das mãos
amassando a terra molhada,
a lama moldando na brincadeira,
dos dedos enterrados na erva madura,
do corpo cansado de madrugada
pelas noites de tanto sonhar
sem jeito nem maneira.

Sou do tempo dos campos e da aventura,
o dia todo vivido em liberdade,
das árvores serem subida para o infinito,
do corpo despido nas noites de verão
a correr ao relento pela rua.

Desse tempo em que sabíamos
o nome e o sorriso e o lugar onde morava
a gente da minha terra.
O tempo em que se aprendia
o ritmo em que o coração batia
no encantamento do primeiro namoro,
no caminho da fonte,
no dobrar de cada esquina.

Não! … Não me revejo no tempo de agora
sujeito a um teclado de um computador qualquer,
em que a casa é prisão.

Não! … A este tempo de amizades distantes,
de sonho transformado em ilusão.

Não! ….

Eu quero em mim a certeza
do rio que corre entre o tumulto e a bonança,
como vida que é sangue a pulsar nas veias,
esta que me faz ser adulto
e ser criança.

Sines, 23 de março de 2020
José – António Chocolate

quinta-feira, 23 de abril de 2020

"Diário de um tempo estranho" (Introdução 20/04/2020)


DIÁRIO DE UM TEMPO ESTRANHO

Ano começado, tão igual como os de que nos lembramos, a esperarmos felicidade e saúde na continuação regular dos dias seguidos, em que mudanças bruscas não acontecem sem avisos ou sinais que se sentem no ar ou arrepios que nos incomodam e alertam.
Nesta continuidade, de repente, acordámos naquele início de Março e ouvimos que se aproxima quarentena, que estamos em confinamento, que vamos entrar em emergência e, várias semanas depois, ainda nesse estado surpresa para todos, reconhecemos um presente que ficará as nossas vidas para a frente e que, pela extensão sem paralelo no nosso mundo global de agora, marcará acontecimento na história e será estudado pelos nossos netos e seus descendentes como sobressalto maior para a imensa maioria dos humanos, na civilização avançada em que nos consideramos estar.
Parada a maior parte da actividade comercial e toda a vida pública, proibidos o passeio para divertir e gozar e a viagem para descobrir e apreciar outros ambientes e, ainda mais doloroso, desaconselhado e reprimido o contacto próximo das pessoas, amigos e familiares e todas as outras, encontramo-nos dias e semanas em casa, ocupando-nos com várias coisas boas e com sentido, mas fora do que faríamos normalmente e com outras, de que não ficará memória, mas que servem para fazer andar as horas à espera da normalidade que tarda.
É o diário deste tempo estranho que aqui iniciamos.

Alberto Vale Rêgo

20 Abril 2020

quinta-feira, 19 de março de 2020

Mensagem a todos!!

Queridos amigos,  vamos todos reencontrar-nos em breve e fazer a maior festa da Poesia! JUNTOS VAMOS VENCER!

Um abraço poético com Fé e Esperança.


quarta-feira, 11 de março de 2020

Jantar de aniversário

Porque entendemos que TODOS devemos contribuir para que o nosso país supere esta dura prova, vamos ADIAR o nosso jantar de Aniversário.

Março Mulher