Razão de ser...

Razão de ser
Nesta cidade, cujo patrono é o ilustre poeta Bocage,
onde sempre existiu forte tradição poética,
com movimentos formais e informais de poetas e escritores,
faz todo o sentido a existência de uma Associação Cultural
que reúna os poetas numa "Casa da Poesia"
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Objetivos da Casa (Consultar em rodapé)

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Vinhos Solidários

A Casa da Poesia de Setúbal juntou poetas nacionais e vinhos da região numa ação solidária a favor do Grupo de Apoio de Setúbal da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
A iniciativa não é propriamente inédita pois já em dois anos anteriores a associação de poetas da cidade do Sado promoveu iniciativas com poetas setubalenses a que os vinhos da Casa Ermelinda de Freitas se juntaram, igualmente com objetivos solidários.
Mas no final de 2017, mais precisamente no dia 9 de dezembro, a aposta foi mais arrojada pois os poemas ganharam dimensão nacional, através dos poetas Pedro Homem de Mello, Miguel Torga, Sofia de Mello Breyner, Ary dos Santos, Florbela Espanca e Eugénio de Andrade, cujos herdeiros “cederam os direitos de autor dos poemas, tendo em conta o carater solidário da iniciativa”, revelou Alexandrina Pereira, presidente da instituição literária de Setúbal.
À Casa da Poesia de Setúbal juntou-se, mais uma vez, a empresa vitivinícola da Península de Setúbal ‘Casa Ermelinda Freitas’, com a oferta de vinhos tintos, brancos (D. Ermelinda) e também espumantes, que são acompanhados por poemas dos autores referidos.
Leonor Freitas, conhecida empresária que gere a Casa Ermelinda Freitas, considerou que “é uma obrigação das empresas participarem nestas causas solidárias, e devia ser uma função a cumprir por todas quando os seus negócios correm bem. Nasci numa família simples e rural, mas com grandes valores solidários e de cidadania, que me incutiram.”
Na ocasião, a presidente da Associação Casa da Poesia, Alexandrina Pereira, agradeceu e destacou o papel de Leonor Freitas neste evento solidário “estando presente connosco desde o primeiro evento em 2015. Entendemos que a poesia também pode ser solidária, e se a juntarmos ao vinho, temos uma união perfeita”, referiu.
O setubalense Raúl Reis garantiu, a título gratuito, a apresentação gráfica dos rótulos das garrafas de vinho que tiveram uma edição inicial de 300 unidades, com um preço unitário de 10 euros, prevendo-se uma segunda edição em função da procura.
A totalidade das receitas será entregue ao Grupo de Apoio de Setúbal da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Fonte: http://jornalsabores.com/poesia-vinhos-solidarios/

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Machado de Assis

Manhã de Inverno


Coroada de névoas, surge a aurora 
Por detrás das montanhas do oriente; 
Vê-se um resto de sono e de preguiça, 
Nos olhos da fantástica indolente. 

Névoas enchem de um lado e de outro os morros 
Tristes como sinceras sepulturas, 
Essas que têm por simples ornamento 
Puras capelas, lágrimas mais puras. 

A custo rompe o sol; a custo invade 
O espaço todo branco; e a luz brilhante 
Fulge através do espesso nevoeiro, 
Como através de um véu fulge o diamante. 

Vento frio, mas brando, agita as folhas 
Das laranjeiras úmidas da chuva; 
Erma de flores, curva a planta o colo, 
E o chão recebe o pranto da viúva. 

Gelo não cobre o dorso das montanhas, 
Nem enche as folhas trêmulas a neve; 
Galhardo moço, o inverno deste clima 
Na verde palma a sua história escreve. 

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço 
As névoas da manhã; já pelos montes 
Vão subindo as que encheram todo o vale; 
Já se vão descobrindo os horizontes. 

Sobe de todo o pano; eis aparece 
Da natureza o esplêndido cenário; 
Tudo ali preparou co’os sábios olhos 
A suprema ciência do empresário. 

Canta a orquestra dos pássaros no mato 
A sinfonia alpestre, — a voz serena 
Acordo os ecos tímidos do vale; 
E a divina comédia invade a cena. 

Machado de Assis, in 'Falenas' 
// Consultar versos e eventuais rimas
Fonte: http://www.citador.pt/poemas/manha-de-inverno-joaquim-maria-machado-de-assis

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Convite


Poema do tema mensal

Às vezes, não sei se sinto
Ou se é apenas o querer sentir
Que me traz o Natal
Em forma de luz profunda
Ou de abraço apertado
Dos que desejamos perto de nós

Às vezes, é tanta a dor da ausência
Que nos transmuda em nós pontiagudos
E nos deixa prostrados de medo
Do que não logramos compreender

Às vezes, eu queria ser uma grinalda colorida
Uma Árvore de Natal construída passo a passo
Na lentidão com que o amor acontece

Às vezes, só consigo ser a cadeira vazia à mesa
Da consoada
O eco dos que já não se vêem junto a nós
E estão ali eternamente presos nos risos e nas palavras
Que partilhamos
Nas vozes de todos os Natais que vivemos

Às vezes, eu fico trémula como uma lâmpada com defeito
Numa cadeia de luzes em redor de um presépio perfeito
E só assumo a minha realidade
Como um personagem vagamente concebido
Para ser gente num conto alusivo à Quadra Natalícia

Ana Wiesenberger


segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Vinhos Solidários 2017

Se alguém duvida, mais uma vez ficou provado que a Poesia DEVE ser solidária e DEVE pôr em prática essa verdade! Assim se justifica que esta iniciativa tivesse sido tão participada, tão acarinhada e tão envolvente. Muito obrigado a todos os que adquiriram os vinhos de grande qualidade da Casa Ermelinda Freitas. Muito obrigado por terem contribuído para ajudar quem é apoiado pelo Grupo de Apoio de Setúbal da Liga Portuguesa contra o Cancro.




terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Ary dos Santos

Soneto
Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

José Carlos Ary dos Santos